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Apelamos ao povo que se mantenha preparado e vigilante em relação aos desenvolvimentos das relações greco-turcas e à questão de Chipre

Declaração do Secretário-geral do CC do Partido Comunista Grego (KKE) sobre política internacional e a questão de Chipre

O Secretário-geral do CC do KKE, Dimitris Koutsoumpas, fez as seguintes declarações, em 28/11/2016, na sua intervenção sobre política externa e a questão de Chipre:

«O KKE acompanha com preocupação os últimos desenvolvimentos das relações Grécia-Turquia e a questão de Chipre. O KKE expressa as suas opiniões com responsabilidade e apela ao povo grego que esteja preparado e vigilante.

É previsível que os maiores problemas diários que afligem o nosso povo se agravem nos próximos tempos, em consequência do resultado da segunda "avaliação" e dos
novos acordos do governo com os seus parceiros da UE e do FMI.

Contudo, não devemos tratar como uma questão secundária os perigosos desenvolvimentos que estão a ocorrer na nossa região.


Os perigosos planos da NATO-EUA-UE na região, a competição com outros poderosos Estados capitalistas, como a Rússia e a China, o redesenho das fronteiras,
as ambições dos poderes regionais, como a Turquia, para reforçar as suas posições, abriram a "caixa de Pandora".


O governo SYRIZA-ANEL, com o consentimento da Nova Democracia e de todos os outros partidos, envolve o nosso país nesses planos. Apoiou até hoje todas as decisões da NATO, que representam uma escalada de confronto com a Rússia e parecem ser uma preparação para a guerra. O governo grego autoriza a instalação de bases da NATO nas ilhas gregas.


Legitimou ainda a presença da NATO no Mar Egeu, com o pretexto de tratar o problema do fluxo de refugiados.

Ao mesmo tempo, esconde que está a ser preparada a divisão de facto de Chipre através de um novo "Plano Annan"1.


Acompanhamos com especial preocupação as sistemáticas e repetidas declarações do presidente turco sobre a revisão do Tratado de Lausanne, designadamente a alteração de fronteiras na região, questão que atinge a Grécia e outros países.


Estas declarações são acompanhadas por violações sistemáticas do espaço aéreo e das águas territoriais da Grécia pela Turquia. Estas declarações e estas ações provocatórias e perigosas fazem parte dos sistemáticos esforços do líder da Turquia para atacar a soberania das ilhas do Mar Egeu e, em geral, das fronteiras e dos direitos soberanos da Grécia, e para agravar a questão das "áreas cinzentas"


Não é por acaso que as declarações do secretário-geral do KKE são proferidas neste momento. É que se intensificaram as negociações para o "encerramento" da questão
de Chipre, ao mesmo tempo em que a Turquia e a UE "regateiam" entre si a participação nesse processo.


Com estas declarações específicas, a Turquia exerce objetivamente pressão para resolver estes problemas de forma ainda mais negativa para o povo.


O governo SYRIZA-ANEL e outras forças políticas burguesas têm grandes responsabilidades porque, de há anos a esta parte, têm garantido ao povo grego que a aliança da Grécia com a Turquia, no quadro da NATO, é um fator de "paz e segurança na região", enquanto ao mesmo tempo a NATO encoraja as intenções agressivas da Turquia ao não reconhecer as fronteiras no Mar Egeu, considerando-o uma simples área operacional.


Ao mesmo tempo, o problema da invasão-ocupação de Chipre, que está por resolver há 42 anos, entrou hoje numa nova fase de agudização.

Apesar dos compromissos do lado cipriota grego, a Turquia e o lado cipriota turco renovam perigosas posições que perpetuam as consequências da invasão-ocupação e
promovem a divisão de Chipre.

As sistemáticas intervenções dos EUA e da UE no sentido de acelerar as negociações e apressar a assinatura de um acordo, visam criar factos consumados e as condições necessárias para a exploração dos depósitos de energia da ilha e beneficiar o grande capital e os planos euro-atlânticos.


Pretendem utilizar a posição geoestratégica de Chipre na concorrência entre os EUA, a NATO e a UE com a Rússia, no quadro dos conflitos gerais interimperialistas que se manifestam na nossa região em redor da exploração e transporte do gás natural de Chipre e outras fontes de energia do sudeste mediterrânico da Europa.

O KKE, imediatamente após a assinatura da declaração conjunta AnastasiadisEroglu, em fevereiro de 2014, concentrou a sua atenção na crítica ao conceito dos
"dois Estados constituintes", que representa uma solução confederal e dicotómica.

As "válvulas de segurança" que eles pretendem criar através dos poderes do Estado federal não podem objetivamente resolver o problema. Pior que isso, quando a 
Turquia fala sobre uma "parceria de dois Estados", afirma que o Estado turcocipriota é a continuação da "República Turca de Chipre do Norte".
Sobre estes assuntos, o KKE promoverá, proximamente, iniciativas no Parlamento nacional e, a nível internacional, no Parlamento europeu, e em conjunto com outros
partidos comunistas. Mas insistirá sobretudo na informação e na mobilização do povo grego. A intervenção das organizações de massas do movimento operário e popular, do movimento pela paz e de todas as pessoas que partilhem as mesmas preocupações contribuirão também para esse objetivo.


Agora, mais do que nunca, a mobilização dos trabalhadores e do povo e a solidariedade internacional são necessárias.


 Pelo encerramento de todas as bases da NATO na Grécia
 Pela retirada da NATO do Mar Egeu
 Pela retirada das forças militares gregas das missões da NATO e da UE
 Pela saída da Grécia da NATO e da UE
 Pela solidariedade com as vítimas das guerras.
 Por uma solução justa e viável da questão de Chipre, por um Chipre unido e independente com uma única soberania, uma única cidadania e personalidade internacional, sem bases nem tropas estrangeiras, sem avalistas nem protetores.


Fortalecer a luta contra estes planos e o envolvimento da Grécia, contra o sistema que cria as crises, as guerras, a pobreza e os refugiados: QUE O POVO NÃO TENHA DE DERRAMAR O SEU SANGUE PELOS INTERESSES E PELA CONCORRÊNCIA ENTRE OS IMPERIALISTAS!».

 

 

1 O Plano Annan (do nome do antigo Secretário Geral da ONU, Kofi Annan) foi uma proposta das Nações Unidas para resolver a Questão de Chipre. A proposta sugere reestruturar a República de Chipre como "República Unida de Chipre", que seria uma federação de Estados. Foi revisto várias vezes antes de ser colocado em referendo ao povo de Chipre. Os cipriotas gregos rejeitaram a proposta por 76%, enquanto 65% dos cipriotas turcos a aceitaram (https://pt.wikipedia.org/wiki/Plano_Annan_para_Chipre).