À medida que 2025 chega ao fim, amplas forças populares na Grécia tomaram as ruas em luta, travando batalhas de grande importância. Agricultores pobres montaram bloqueios nas estradas nacionais e regionais por todo o país, lutando pela sobrevivência contra os monopólios, a Política Agrícola Comum da UE e as políticas governamentais que os sufocam. O Comité Nacional dos Bloqueios está a coordenar essa luta, que atualmente inclui 58 bloqueios que vão da Trácia e da Macedónia até Creta. O epicentro da luta é a Tessália, onde foram montados três grandes bloqueios com a participação de milhares de tratores.
Os agricultores pobres contam com o apoio da classe trabalhadora, que nos últimos meses também travou importantes lutas por direitos laborais e sociais. Incluem-se as greves gerais de 1 e 14 de outubro contra a jornada de trabalho de 13 horas, bem como manifestações em massa contra o orçamento do Estado, que coloca um enorme fardo tributário sobre os ombros das camadas populares para financiar a economia de guerra e os seus preparativos, além de aprofundar o envolvimento da Grécia em guerras imperialistas.
Ao mesmo tempo, a luta contra a NATO, as bases americanas, a transformação do país em trampolim para planos imperialistas, pelo regresso de todas as forças armadas gregas das missões imperialistas no exterior, e em solidariedade com o povo da Palestina e todos os povos que estão em luta, não cessou por um único momento. Realizaram-se dezenas de comícios e mobilizações de massas. Um exemplo disso é a mobilização popular em Elefsina contra os perigosos planos do governo e dos EUA de transformar a área num centro de envolvimento imperialista, explorando o porto de Elefsina em concorrência com o porto do Pireu, que foi entregue à empresa chinesa COSCO. Trabalhadores e sindicatos da região mobilizaram-se sob a palavra de ordem: "Recusamos tornar-nos vítimas da concorrência e do conflito militar".
Não é exagero dizer que a alma das lutas do povo na Grécia foi e continua a ser o KKE. Isso é evidente apesar de o Partido estar atualmente num processo de pré-congresso, envolvido num debate interno e público há muito tempo sobre as Teses do Comité Central para o XXII Congresso, que será realizado nos dias 29 a 31 de janeiro de 2026. Mesmo assim, o KKE está a realizar uma ampla abertura política e mantém uma presença constante em todo o lado — quer nos locais de trabalho quer nas lutas dos trabalhadores. Que prova mais clara poderia haver do que o facto de a ação do KKE ter sido recompensada pela primeira vez entre os funcionários públicos — um ambiente sindical particularmente difícil que atua sob a rigorosa supervisão da burguesia, dado o seu papel fundamental nos mecanismos ideológicos, políticos e repressivos do Estado burguês? No congresso da Confederação dos Sindicatos do Setor Público, a lista sindical do DAS, apoiada pelo KKE e composta por sindicalistas da PAME, ficou em primeiro lugar com 25,57% dos votos. Da mesma forma, a lista da KNE ficou em primeiro lugar pelo quarto ano consecutivo nas associações estudantis das universidades públicas, recebendo 33% dos votos.
O facto mais marcante, no entanto, é que nada disso foi adequadamente refletido em diversos meios de comunicação internacionais, incluindo os chamados veículos "de esquerda" e "comunistas". Pelo contrário, mesmo num momento em que o KKE está na linha da frente da luta popular, da luta contra a NATO, os EUA e a guerra imperialista, os ataques contra o KKE não cessaram. Esses ataques às vezes são diretos, baseados em acusações infundadas, como as feitas pelo Partido Comunista da Bielorrússia e, às vezes, indiretos assumindo a forma de perguntas insinuantes, como as levantadas num artigo publicado pelo jornal alemão Junge Welt que, de forma maliciosa e deliberada questionou se a iniciativa internacionalista do KKE em comemoração da Revolução Socialista de Outubro era "um sinal de uma nova cisão".
Primeiramente, gostaríamos de observar que todos os materiais da Iniciativa Internacionalista do KKE — incluindo o discurso de abertura de D. Koutsoumbas, Secretário-Geral do CC do KKE, as contribuições dos 26 Partidos Comunistas participantes, a Declaração Conjunta no aniversário da Revolução de Outubro e as palavras finais do evento de G. Marinos, membros da Comissão Política do CC do KKE— estão disponíveis no sítio em línguas estrangeiras do KKE recentemente atualizado e qualquer pessoa pode lê-las.
As Teses do CC do KKE também dão uma resposta clara à questão levantada pelo Junge Welt sobre "sinais de uma nova cisão", observando, entre outras coisas, que:
"A guerra imperialista na Ucrânia afetou as formas internacionais de cooperação nas quais o nosso Partido participa. A Revista Comunista Internacional (RCI) teve de passar por um período de reestruturação, enquanto a Iniciativa Comunista Europeia (ECI), que foi dissolvida, foi substituída pela Ação Comunista Europeia (ACE). O conflito político- ideológico intensificou-se no contexto das Reuniões Internacionais dos Partidos Comunistas e Operários (EIPCO), realizadas em Havana (2022) e Izmir (2023), como se refletiu nas posições dos Partidos Comunistas e nas diferentes resoluções que apresentaram e adotaram.
A situação dos EIPCO é muito problemática; as questões da ação conjunta e da solidariedade enfraqueceram significativamente, assinalando-se as que se relacionam com o Partido Comunista da Venezuela e a solidariedade com os povos do Médio Oriente. Está a surgir uma situação que ameaça a sua existência, enquanto várias organizações ("plataformas" e "fóruns") branqueiam planos imperialistas e tentam arrastar o movimento comunista para se colocar ao serviço do eixo eurasiático imperialista em formação, seguindo o exemplo do Partido da Esquerda Europeia (PEE), que apoia a UE imperialista.
A situação que se desenvolveu dentro do movimento comunista internacional não surgiu do nada, como foi salientado, entre outras ocasiões, numa resolução recente do CC do KKE com o título "Sobre a escalada da guerra imperialista, a agudização da concorrência imperialista e a preparação do Partido":
"A guerra imperialista na Ucrânia provocou novas e aprofundou antigas divisões político-ideológicas nas fileiras do que chamamos de Movimento Comunista Internacional (MCI), que, como avaliámos no XXI Congresso, está em uma crise profunda: 'Uma feroz luta político- ideológica está a ser travada nas fileiras do MCI em torno de várias questões, como a análise-interpretação dos fenómenos contemporâneos do capitalismo e do sistema imperialista internacional'.
Assim, além do debate que se vem travando nos últimos anos sobre:
- o que é imperialismo,
- a atitude perante as contradições interimperialistas,
- a atitude em relação às forças sociais-democratas e os governos 'progressistas',
- o caráter dos nossos tempos,
- o caráter e o papel da classe trabalhadora,
- os princípios da construção socialista,
as questões da guerra imperialista e a atitude dos PC em relação à burguesia do respetivo país e às suas alianças imperialistas foram levantadas com mais insistência.
Claro, as questões político-ideológicas acima referidas também estão diretamente relacionadas com o debate que surgiu em torno das questões da guerra.
Isto porque os PC que identificavam o imperialismo com a política externa agressiva dos EUA e de alguns poderosos estados capitalistas europeus ao mesmo tempo em que enalteciam o papel de outros Estados capitalistas, agora veem na Rússia, China e Irão algumas 'potências anti-imperialistas' ou até mesmo um 'eixo anti-imperialista'. Tais forças, que desvalorizam arbitrariamente e de forma não científica as contradições e a concorrência interimperialistas que estão na raiz das guerras imperialistas, consideram que, mais cedo ou mais tarde, um 'mundo multipolar', 'justo' e 'pacífico' surgirá. Alguns deles apoiam a UE capitalista ou a China e a Rússia capitalistas como 'novos polos' e 'contrapesos' aos EUA, identificando mais ou menos os seus interesses com os interesses da classe trabalhadora e das camadas populares dos seus países."
É verdade que o KKE desenvolveu uma abordagem fundamentalmente diferente, que lhe permite evitar ser arrastado para o atoleiro da colaboração com forças e governos burgueses em nome de falso "antifascismo" e falso "anti-imperialismo". Isso permitiu que o KKE assumisse a liderança na luta contra os EUA, a NATO, a UE e contra o envolvimento da Grécia na guerra imperialista e na luta da classe trabalhadora e das camadas populares pelos seus direitos, enquanto reunia forças para uma rutura com o sistema capitalista e as alianças imperialistas. Dessa forma, o KKE protegeu a sua estratégia independente e não se deixou envolver nem com o bloco imperialista euro-atlântico, que supostamente luta contra a "revisão do direito internacional", nem com bloco euro-asiático que embarcou num caminho de reformas e propõe uma suposta "arquitetura justa das relações internacionais" e um "mundo multipolar".
O sucesso do KKE está enraizado nos seus profundos laços com a classe trabalhadora e na sua longa experiência histórica que estuda sistematicamente e da qual tira conclusões para a luta contemporânea. Através do estudo da sua própria história e da do movimento comunista internacional, bem como da experiência da construção socialista e da contrarrevolução no século XX, o KKE formulou um programa revolucionário. Fortaleceu-se com as conclusões tiradas da experiência da estratégia errónea das etapas, das frentes antifascistas com forças burguesas e do estudo das causas do derrubamento do socialismo na URSS, enquanto defende consistentemente as leis da construção socialista. Tudo isso parece ser ignorado pelo Partido Comunista da Bielorrússia nas suas críticas ao KKE. Continua apegado às antigas e ultrapassadas abordagens do movimento comunista internacional e reutiliza-as para justificar a sua identificação política com a liderança da República burguesa da Bielorrússia, chegando a fazer a alegação infundada de que o "socialismo bielorrusso" está a ser ali construído hoje. Essa posição contradiz os princípios marxistas-leninistas e carece de qualquer base científica, já que é bem sabido que a construção do socialismo pressupõe processos revolucionários: a destruição do Estado burguês, o estabelecimento de novas instituições revolucionárias de poder, a socialização dos meios de produção e o planeamento científico central da economia — e não apenas a existência de um setor estatal forte.
No último ano, o KKE demonstrou as suas capacidades tanto na Grécia como internacionalmente. Fortaleceu a sua intervenção política e consolidou-se com novas forças e experiências valiosas adquiridas nas batalhas que travou. Por essa razão, recebemos 2026 e o XXII Congresso do KKE com um espírito de responsabilidade, orgulho e um otimismo combativo, porém realista, diante da nossa justa luta. Estamos comprometidos em divulgar o nosso Programa para uma vida livre de exploração e guerras imperialistas, com dignidade e prosperidade social condizentes com as necessidades contemporâneas da classe trabalhadora, de outras forças populares e da juventude no século XXI.
Desejamos a todos os nossos camaradas noutros países saúde, força e sucesso nas suas lutas, para que a luta pelo socialismo-comunismo se possa fortalecer por todo o mundo.
Viva o marxismo-leninismo e o internacionalismo proletário!