Skip to content

O Clube dos Poucos Sortudos

O povo da Venezuela é “sortudo”. Seu país possui as maiores reservas de petróleo do mundo e está situado sobre uma verdadeira mina de ouro — uma que poderia garantir a autossuficiência energética e muito mais, além de fornecer combustível e eletricidade baratos para sua população.
Date:
jan. 23, 2026
greenland

O povo da Venezuela é “sortudo”. Seu país possui as maiores reservas de petróleo do mundo e está situado sobre uma verdadeira mina de ouro — uma que poderia garantir a autossuficiência energética e muito mais, além de fornecer combustível e eletricidade baratos para sua população.

O povo da Groenlândia também é “afortunado”. Seu país detém vastas reservas de terras raras, cruciais na era das novas tecnologias. Sua posição geográfica o torna um ator fundamental na exploração das riquezas do Ártico e na abertura de novas rotas marítimas, à medida que o derretimento do gelo coloca o corredor norte em foco.

O povo da Ucrânia também teve “sorte”. O país é conhecido como o “celeiro da Europa”, com enorme capacidade produtiva que poderia garantir a segurança alimentar e o fornecimento de produtos baratos e de alta qualidade. Sua extensa rede de gasodutos faz da Ucrânia um polo energético, enquanto sua posição geográfica “altamente cobiçada” e o extenso litoral do Mar Negro aumentam sua importância estratégica.

Nos últimos dias, esses países têm dominado os acontecimentos internacionais.

No caso da Venezuela, isso se manifestou na forma de intervenção dos EUA, resultando em uma nova situação política que alinha a Venezuela aos interesses americanos. A prioridade tem sido garantir a riqueza energética do país para benefício dos EUA, com o acesso americano ao petróleo pesado venezuelano. Além de controlar as vendas para seus concorrentes, os EUA estão adquirindo reservas de energia vitais para seus preparativos de guerra, expandindo e reforçando seu “espaço vital” no Hemisfério Ocidental.

Por razões semelhantes, a Groenlândia também está na mira dos EUA. Ela é considerada crucial para a defesa regional contra a Rússia e a China, além de oferecer uma posição estratégica para o controle de uma parte maior do Ártico. Ao mesmo tempo, representa um tesouro de reservas minerais, cujo controle é decisivo na luta pela supremacia.

Quanto à Ucrânia, a situação é bem conhecida. Sua riqueza agrícola já pertence aos gigantes do agronegócio dos EUA e da Europa, assim como grande parte de sua riqueza mineral. O país foi devastado por anos de guerra imperialista, partes significativas de seu território foram ocupadas pela Rússia capitalista, e as potências imperialistas ocidentais competem para dividir os espólios — tudo isso enquanto o povo continua a pagar o preço de uma guerra em curso.

Será que os povos desses três países são realmente “sortudos” — “sortudos” por enfrentarem intervenções imperialistas, guerras, destruição, ameaças e chantagens, precisamente por causa de sua riqueza e de sua posição no mapa?

Em nosso país, o governo e todas as potências euro-atlânticas elogiam a posição geoestratégica da Grécia ao longo das rotas comerciais e energéticas, apoiando unanimemente o objetivo da burguesia de transformar o país em uma “ponte” entre o Oriente e o Ocidente. A descoberta de reservas de energia no Mar Jônico e no Mediterrâneo Oriental gerou grandes expectativas entre os monopólios gregos e “aliados”.

Assim, o povo grego também está sendo acolhido no "clube dos poucos sortudos"!

Devemos lembrar àqueles que tentam minimizar os perigos, invocando a “parceria estratégica” da Grécia com os EUA e sua adesão à OTAN, que a Dinamarca é membro dessa aliança imperialista desde 1949 e mantém o mais alto nível de cooperação militar com os EUA. Há uma base militar americana na Groenlândia, e tropas dinamarquesas participaram das intervenções imperialistas americanas no Iraque e no Afeganistão.

A verdadeira desgraça que aflige os povos de todo o mundo capitalista é que a burguesia detém o poder em todos os países. Ela possui e explora as riquezas minerais para seu próprio lucro, beneficia-se de sua posição geoestratégica no comércio e na energia e busca fortalecer sua posição por meio da participação em alianças imperialistas como a UE e a OTAN. E quando interesses concorrentes colidem, não há crime contra os povos que o imperialismo hesite em cometer.

Só existe um caminho para que os povos realmente se beneficiem da riqueza e de todas as outras “vantagens” que seus países possuem: derrubar a burguesia e libertar seus países das alianças imperialistas. Eles devem tomar o poder e o controle da economia em suas próprias mãos. Este é o chamado da história em nossa era, à medida que a perspectiva de um novo conflito imperialista generalizado se torna mais forte do que nunca!

 

Artigo publicado na coluna "Nossa Opinião" do jornal Rizospastis do Partido Comunista da Grécia (KKE), em 20 de janeiro de 2026.